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Newslab, a nova ferramenta de comunicação do Google

Minha geração (a quem interessar possa, tenho 37 anos) é muito peculiar: não somos nativos digitais (já datilografei muito e já mandei muito fax!), mas ajudamos a construir a internet. Já pesquisei muito no Altavista até descobrir como funcionava HTML, porque comecei a publicar textos e pesquisas na rede antes dos CMS como blogger, movabletype (lembram?) e wordpress. Usamos BBS, MirC, e toda sorte de redes sociais pré-facebook, e aprendemos junto com a rede como isso aqui funcionava.

Hoje, adultos, com anos de internet nas costas e possivelmente profissionais de mídia e comunicação, temos a missão de orientar nossos estagiários e assistentes, que já nasceram com acesso a toda informação possível, mas ainda dizem “não achei nada sobre este assunto” – enquanto você (que já consultou muita Barsa na vida) apura qualquer informação em menos de cinco minutos, e ainda confirma a veracidade dos dados.

Não me levem a mal, garotada. Vocês são incríveis, inteligentes e aprendem MUITO mais rápido que nós. É que vocês não tiveram que descobrir como funcionava. Os códigos já estão prontos, os tutoriais já estão em vídeo e vocês têm coisa muito melhor pra fazer quando chegam em casa do que se enfurnar na internet. Eu não tinha. Eu ia pra frente do computador descobrir na marra como colocar frames num site hospedado no Geocities, porque eu queria um menu de navegação que fosse estático enquanto a página rolava, só pra poder publicar as resenhas dos discos que eu gostava (e foi no final de 98 que apostei que uma banda de uns amigos meus seria a sensação de 1999, e hoje vocês conhecem Los Hermanos, não?). Eu não era programadora. Eu precisava daquilo para fazer comunicação.

Mesmo tendo uma disciplina sobre pesquisa na faculdade, não foi lá que aprendi a analisar tendências, a distinguir o que é um arquivo com vírus de um que eu posso baixar, a fazer pesquisa reversa de imagem (até porque esse recurso nem existia) e curadoria de conteúdo com a ajuda de alertas recebidos por e-mail e por ferramentas agregadoras de conteúdo.

Aprendi na marra e adoro passar esse conhecimento adiante.

Pois foi mais ou menos semana passada que o Google resolveu compilar suas ferramentas de apuração e compartilhamento de informação no seu NewsLab, e ainda oferecer uns tutoriais para as ferramentas e plataformas, e também sobre como usá-las de forma integrada para promover seu conteúdo. Me lembrou um pouco o Ubiquity, um plugin pro Firefox que, com simples atalhos de teclados, te direcionava para mapas, compartilhava suas coordenadas direto para seu e-mail… isso foi antes de ter internet no celular. É. Estou ficando velha mesmo. E, graças a Tutatis, não perdi a necessidade de estar em constante atualização.

Sobre o Google NewsLab: vale a visita. Vale explorar. Vale por um workshop de comunicação (faculdade não, porque faculdade ensina muito mais do que isso). Até porque, pensando em marketing de conteúdo, todo site de empresa tem potencial para virar um veículo de mídia, e é imprescindível entender algumas das principais ferramentas de criação e difusão de conteúdo disponíveis por aí.

É óbvio que lá não tem todas, só as do Google. Mas as outras, você APURA e FUÇA pra descobrir como usar, certo?

Vá lá: https://newslab.withgoogle.com/

* * *

Se você curtiu este post, acho que você vai gostar da Lounge42, a página que, em breve, oferecerá meus serviços de comunicação, produção de conteúdo e assessoria para projetos culturais: https://www.facebook.com/lounge42com

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Arthur Murray, marketing e aulas de dança

Não se enganem com a aparente calma de Betty Hutton. Ela fica FRENÉTICA, especialmente quando enumera os passos que aprendeu na famosa escola de dança de método duvidoso:


http://www.youtube.com/watch?v=6IWv53ZFXFo

Arthur Murray ensinava dança por correspondência nos anos 20. Louco, né? Hoje em dia não parece tão insano assim, visto que DVDs instrucionais proliferam por aí, e até videogames com sensor de movimento podem te ensinar a dançar (com a vantagem de apresentarem feedback imediato, graças à análise do movimento que você mesmo observa se está certo ou não durante todo o processo). Se presta? Ajuda, especialmente a quem JÁ dança e domina as técnicas básicas, mas existem conceitos como transferência de peso e conexão (nas danças a dois) que precisam ser observados e corrigidos. Mas passos simples e solos, por exemplo, podem tranquilamente ser ensinados em vídeo por um bom instrutor, para alguém que já entenda do assunto. Vide o portal idance, que tem video aulas BEM didáticas.

Um branquelo totalmente sem swing, mas que soube inovar e VENDER suas aulas: na falta de espaço pra uma orquestra *e* 150 alunos, botou a banda transmitindo por rádio para os alunos, que estavam no terraço do prédio, curtindo um bailão. Parece besteira, mas em 1920 isso devia ser realmente revolucionário. Murray ainda chegou a ensinar dança VIA RÁDIO. Olha que cousa:
Muito antes dos videocassetes, Murray já havia entrado no negócio dos vídeos instrucionais: olha que linda essa aula de collegiate shag – e que até hoje é copiada por aí e chamada de ‘Arthur Murray Shag’!!!
(amgs do lindy hop: que tal incluir um módulo de collegiate shag nas aulas? é divertido, e é ótimo pra dançar com ritmos mais rápidos!)
O próprio Arthur Murray viu seu sistema de ensino por correspondência miar (não era fácil gravar vídeos na época, né? e aula de dança por rádio é um método MUITO duvidoso) e acabou abrindo uma academia. PRESENCIAL. Ainda está curioso sobre Arthur Murray? Adivinha quem pegou a Big Apple coreografadinha pelo semideus da dança Frankie Manning e criou uma moda enlouquecida de Big Apple, ensinando a coreô pra branquelada toda frequentadora de academia? Adivinha:

Aparentemente, Murray era um bom dançarino, ótimo professor, tinha uma super didática e, apesar de ZERO swing, tinha algo que, pra mim, profissional de comunicação, conta DEMAIS: sabia se vender, sabia anunciar seu produto, sabia se divulgar, sabia inovar no seu negócio. Ainda melhor que professor de dança, o cara era um super marketeiro:
Zero swing, gente, tou dizendo.
Claro, inovação nenhuma garante o sucesso permanente se o que você oferece é realmente ruim. Aparentemente, o método de Murray funcionou bem – tanto que a academia continua, com mais de 260 unidades espalhadas pelo mundo. Mas desde 1920, o cara transformou aulas de dança em EVENTOS. Com o slogan “Se você sabe andar, nós podemos te ensinar a dançar”, LOTOU sua academia e criou demanda para seus cursos. E, fale mal, mas falem de mim, aparentemente não se incomodou com todas as referências, boas ou ruins, ao seu método. Um “aluno” famoso foi o personagem de Fred Astaire no filme “O céu é o limite”, de 1943. Ao ser inquirido pela gatinha onde havia aprendido a dançar, responde NA LATA: “Arthur Murray”. Mentira. Mas melhor propaganda não há. Teve a música ‘Arthur Murray Taught me Dancing in a Hurry’, cantada por Betty Hutton, que abre este post, que não exatamente tece loas ao método – no final das contas, a personagem dança de tudo, mas tudo meio mal – e que foi um sucesso, praticamente uma peça de branded content para a academia de Murray, se a encomenda tivesse sido feita por ele. 
Branded Content MESMO era o programa de TV The Arthur Murray Dance Party, que levava grandes nomes da música popular da época para cantar enquanto um corpo de baile dançava ao fundo:
Sam Cooke
Poor old Johnny Ray!
Buddy Holly, gente! Buddy Holly pra juventude branca, rica e frequentadora da alta sociedade
Como nada é marketing completo sem o oferecimento de samples, Arthur e sua parceira Kathryn dançavam ao começo do programa. O espectador que adivinhasse que dança era aquela ganhava uma aula grátis! Ó!!!!!!
Então vamos lá:
1 – um produto/serviço razoável. Não necessariamente o melhor, mas BOM.
2 – inovação. inserção de novas tecnologias. novos modelos de negócios
3 – o novo modelo de negócio não deu certo? tudo bem. volta pro básico! não ter medo de empreender é ótimo
4 – faça propaganda do seu negócio
5 – onde der pra fazer propaganda do seu negócio, faça
6 – ofereça experimentação. se não der pra fazer um milhão de samples, o concurso pra um ganhar já tá valendo
7 – deixe fazerem propaganda do seu negócio. A menos que seja REALMENTE negativa, toda e qualquer maneira de fazer com que te conheçam vale a pena. Deixe te cantarem em versos, como fez Ricky Ricardo, personagem de Desi Arnaz na série “I Love Lucy”: Cuban Pete não te ensina a dançar com pressa, señorita!

Detona Ralph – Tron para crianças

Ralph é um detonador profissional, uma espécie de Donkey Kong de um Super Mario consertador (eu ia falar aqui que “vocês SABEM que antes do Donkey Kong ser fofinho, ele era o vilão sequestrador da princesa, né?”, mas aí lembrei que se Donkey Kong diz alguma coisa pra você, é porque você é velho e nerd que nem eu e obviamente já sabia disso). E essa é premissa de ‘Detona Ralph’.

Cansado de levar uma vida de vilão, Ralph resolve dar uma escapadinha de seu jogo, entrar numa espécie de Call of Duty pra pegar uma medalha e voltar como herói, mas se atrapalha um pouco e vai parar numa espécie de Mario Kart Kawaii, com menininhas fofinhas, carrinhos que soltam glitter e doces espalhados pelo mundo inteiro porque, né? É um filme da Disney e é sempre esperto licenciar brinquedos para meninos e para meninas:

http://youtu.be/-LEY2rO5Sl4

E a Disney é tão esperta que quase me fez acreditar que isso era MESMO um comercial de um jogo de 1997.

Ralph se afeiçoa a uma garotinha também rejeitada e tratada como pária, e apronta muitas confusões. Mas não vou contar o filme aqui (embora a coisa toda fique meio óbvia, não porque o filme seja ruim, pelo contrário! é lindo! mas porque ‘Detona Ralph’ é um filme para toda a família e essas coisas são assim mesmo, finais felizes, jujubas, marshmellows e arco-íris. Vocês sabem).

Essa história de personagens de jogos com alma… jogos que têm uma vida pessoal fora do jogo… softwares alterando suas próprias programações… se você é velho e nerd que nem eu, você vai pensar que ‘Detona Ralph’ é uma espécie de ‘Tron’ para crianças. Tudo bem! Nem é só para crianças, e nem é só por causa das cameo appearances de Ken, Ryu, Sonic, Pac Man, Zangief, Balrog, zumbis e demais personagens que você certamente já andou empurrando com um joystick (nas palavras do marido, que tem 43 anos, porque eu tou aqui refletindo sobre o fato de que controles dos anos 90 pra cá não tem mais ‘stick’). É uma história universal sobre um brutamontes que descobre que tem um coração, e juro que vi marmanjo se emocionando no cinema; é um bom roteiro, sim, e apesar das referências nerds, não depende dessas referências pra contar uma boa história. É tipo um ‘Toy Story’ de videogames. Não à toa, tem produção de John Lasseter.

E dá margem para licenciamento de jogos DE VERDADE:

http://www.disney.co.uk/wreck-it-ralph/games/?game=sugar-rush

Me espanta como “Detona Ralph” não é uma peça de branded content, porque eu passaria horas jogando ‘Sugar Rush’ depois dessa propaganda toda.

Tá.

Agora vão lá ver.

Só cuidado com o diabetes, é muita doçura.

O filme novo dos Muppets

Sim. Choramos, rimos, cantarolamos juntos, ficamos meio putos com a dublagem (KERMIT? o nome dele é CACO!), nos identificamos com os personagens, choramos mais um pouco, cantamos Mahna-mahna. O filme dos Muppets, esse novo escrito pelo Jason Segel, que está nos cinemas agora, é pra gente como a gente. Nós crescemos com os Muppets. Aprendi a ser mulherzinha, histriônica, passional e determinada com Miss Piggy. Cid sorria toda vez que Animal aparecia na tela. Fomos educados, ele com o programa de TV e eu com os filmes, à base dos bonecos de feltro de Jim Henson. E ouvir ‘Rainbow Connection’ me traz lágrimas até hoje.

Isto posto, não dava pra não amar o filme dos Muppets, esta nova aventura em que Mary, Gary e o irmão muppet de Gary, Walter, descobrem que o antigo estúdio dos Muppets será demolido e se empenham em juntar a trupe, 30 anos depois, para angariar fundos para comprar o estúdio de volta. As cameo appearances, os números musicais, a metalinguagem o tempo todo (eles sempre estão cientes de que estão em um filme), tudo isso nos divertiu um bocado. E eu, particularmente, me apaixonei perdidamente pelo figurino da Amy Adams. Mas entendo. Eu entendo o que se passa no mercado brasileiro, em que o filme abriu mal e, em plena quarta-feira de noite, menos de 1/3 da sala estava ocupada.

Em primeiro lugar, ‘Os Muppets’ não é um filme para crianças. Jason Segel, adoro você, amei o filme, mas seu conceito de “filme para a família” funciona apenas localmente. Quando Caco/Kermit pega sua antiga agenda telefônica para procurar uma celebridade e chama “Alô? Presidente Carter?” – isso não é para crianças. A Electric Mayhem não é para crianças. Os números musicais (especialmente “Man or Muppet”) não são para crianças. São, sim, para a criança de 8 anos que existe em um homem de 40, mas um filme para a família precisa também envolver as crianças de 8 anos reais, e não é somente a presença dos bonecos que vai garantir isso. As muito novinhas não vão entender. As mais velhas acho que prefeririam assistir a um episódio de ‘Punch the Teacher’. Nos EUA, talvez – uma vez que os Muppets nunca deixaram de ter produtos licenciados, o que garante a presença no imaginário coletivo de crianças de todas as idades, mas aqui? Ou você via o Muppet Show, ou seu pai era um nerd e te levou ao cinema em 81 e 83, ou você não conhece os Muppets. Porque, vamos combinar, Muppet Babies não são Muppets (pra começar, eram desenho e não bonecos)

Então, Disney Brasil, por que a falta de opção de cópias legendadas? Aos fins de semana, pais vão levar seus filhos (que vão morrer de tédio durante quase todo o filme, porque nenhuma criança merece Amy Adams com dor de cotovelo dançando sozinha no restaurante), mas durante a semana o público será de adultos nostálgicos, geeks, nerds, pessoas que frequentam cinema desde os anos 70, 80 – ou seja, já desenvolveram uma cultura cinematográfica razoável… e preferem ver legendado. E vão deixar de ir ao cinema porque, pra ver dublado, é melhor baixar (é, Disney, estamos em 2011).

Abriu mal? Vai cair pela metade o número de salas no próximo fim de semana? O filme já é um filme de difícil posicionamento, e ainda por cima os executivos de marketing da Disney Brasil não souberam trabalhar o filme para o público que realmente vai curtir e comprar produtos licenciados (adultos ganham salários e compram brinquedos carésimos, hein, Disney? Ainda dá tempo de uns bonecos maneiros. Fica a dica).

Não tá indo bem. Uma pena. Porque a menina de 5 anos que nunca saiu de mim amou e recomenda a todos os adultos nostálgicos, mesmo que em cópias dubladas, mas eles provavelmente não terão muitas opções de salas para ver na semana que vem. Disney, da próxima vez, contrata minha consultoria. O potencial é grande, o filme é lindo, vocês não precisam amargar preju nessa vida.

Lia, a trendsetter

Eike Loucura

Marido anda estudando na faculdade o jeito Eike Batista de empreender. Quer aprender com o MESTRE?

http://youtu.be/UGMYiljE9ng

Tem um pdfzinho explicativo aqui. Legal pra imprimir e colocar na sala da diretoria, quando eu for diretoria.

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Fãs

Está rolando o OiCabeça, parceria da UFRJ com o Oi Futuro. Na palestra de ontem, sobre a cultura de fãs, Mauricio Mota diz o que a gente já sabia: que o fã deveria ser considerado um importante stakeholder na indústria do entretenimento (e, convenhamos, processar fã porque ele remixou uma música ou escreveu uma história com seus personagens é um erro. um erro).

Nancy Baym lembra que, desde sempre, audiência é social e que, mais do que consumir o produto e ser apaixonado por aquilo, o fã socializa com outros fãs. Faz parte dessa cultura. É o mesmo princípio que fazia você colar no cara com a camisa da banda que você curtia naquela era pré internet.

Curti, vida longa ao evento, mas cheguei naquele ponto em que boa parte das palestras bacanas que vejo sobre esse tema (mais especificamente, como as tecnologias estão mudando a maneira como as pessoas se relacionam com a indústria do entretenimento) não me apresentam mais novidades, o que é, provavelmente, um sinal de que daqui a pouco está na hora de EU passar tanto conhecimento e informação acumulada adiante. Na boa? Gasto muito dinheiro em livros e muito tempo em pesquisa, tá na hora de começar a fazer uso prático disso.

Prevejo powerpoints divertidos em breve. Até porque a verdade é que vejo estudantes, acadêmicos e criativos, em geral, nesses eventos – mas o CEO ou o diretor de marketing ou comunicação, que são as pessoas que DEVERIAM entender esse tipo de mudança de relação entre pessoas e produtos (especialmente os culturais) e investir em estratégias que tirem o melhor dessas novas relações, ao invés de tentar combater, parecem ignorar. Não são todos, claro. Alguns já estão adaptados. Mas quando vejo o pessoal da velha guarda resistindo a mudanças (e a reforma da lei de direito autoral, veja você, não é e nunca foi uma proposta de acabar com o direito autoral, mas de acompanhar a mudança e obrigar empresas e criadores a adotar novos modelos de negócios), dá uma tristeeeeeza, uma vontade de dar aula pra eles…

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Jumping the shark

Eduardo Escorel é um cara bom. Faz bons filmes. Tem fama de ser um gentleman. Mas sua última coluna no site da Piauí pulou o tubarão TOTAL. VOU NEM LINKAR.

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Nostalgia é tendência

Nostalgia é tendência para os consumidores da geração X (34 a 36 anos), diz o observatório de tendências da JWT. A JWT!!!!!!! Pra mim, isso quer dizer duas coisas: uma que eu sou um GÊNIO DO MARKETING com a campanha que criei pro trabalho da pós que tenho que entregar na segunda, e outra que tou velha, já que MAIS UM ANO e farei parte dessa geração.

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Arte em melancias

A vida não é só internet, mídias digitais e empreendedorismo. A vida também é feita de frutas e de esculturas. Isso aqui é uma das coisas mais geniais que já vi nos últimos tempos, em termos de arte.
Technicolor

“Se eu sei fazer igual ou melhor, não é arte”, já dizia meu pai. Eu jamais conseguiria fazer um negócio desses, logo… é arte sim. E das boas.

Um aulão de marketing, branding, inovação e riscos bons de se correr

TED, eu sei que você sabe, é um evento sobre ideias: pessoas com histórias inspiradoras sobre seres humanos, sobre vida, sobre assuntos de interesse comum. De grandes cientistas e nomes conhecidos da mídia até completos anônimos, são pessoas interessantes, dividindo experiências interessantes, em um formato BEM interessante: as falas devem ser rápidas, para que o espectador mantenha o interesse. O evento é filmado e cada uma dessas histórias, muitas bastante tocantes, fica disponível na internet para quem quiser se inspirar.

Pois Morgan Spurlock, aquele mesmo que passou um mês se alimentando (?) de junk food para documentar os efeitos de quilos de fritura em suas artérias, deu uma AULA de marketing. Uma AULA de branded content. Uma AULA de inovação, branding, da vantagem de se abraçar riscos, e até mesmo uma aula sobre movie business. Além de, é claro, um certo tapa na cara das agências e marcas que foram procuradas e não quiseram investir em seu projeto inovador, que nem estreou ainda e já tem mídia – favorável, é bom que se diga – pra caramba em cima.

Então vamos lá:

http://www.ted.com/talks/morgan_spurlock_the_greatest_ted_talk_ever_sold.html?awesm=on.ted.com_Spurlock

Aos publicitários, fica a lição sobre posicionamento de marca e sobre branded content: Spurlock quer fazer um filme SOBRE marketing de marcas… totalmente patrocinado. Isso aí: nada que disser ou mostrar será gratuito. Sua TED Talk é praticamente um minidocumentário sobre o processo de busca por financiadores do projeto, o que é também uma lição valiosa para cineastas e produtores que não sabem vender seu produto ou têm medo de bater na porta de empresas – Spurlock alega ter procurado mais de 500. Sua TED Talk é, também, sobre correr riscos: as marcas que se arriscaram a bancar o filme têm em sua mão um produto inovador, divertido, informativo e, porque não dizer, com altíssimo potencial de retorno de branding.

Conteúdo grátis também paga. E às vezes paga bem

Alô você, produtor de conteúdo que não acredita que seu produto possa ser rentável se estiver disponível de graça na internet: se você cobrar 30 reais por um dvd ou por uma assinatura premium, acha MESMO que alguém vai pagar por isso? Quer dizer, alguém vai, mas se não tiver volume de vendas suficiente para torná-lo rentável, seu produto volta para a gaveta eternamente, esperando que alguém distribua ou exiba… você já viu esse filme?

Claro, cada caso é um caso – e é preciso entender quando é caso de liberar conteúdo grátis, quando é caso de cobrar taxa de acesso ou de esperar a venda que virá no momento certo. Mas também é preciso entender que quando o conteúdo está disponível gratuitamente na internet, ele não é realmente gratuito: alguém já está ganhando algo com ele graças aos anúncios publicitários disponíveis nele ou no site que o hospeda, graças ao tráfego que ele leva à página.

Graças aos tais programas de parceria e links patrocinados, esse valor pode ser dividido entre você, produtor, e o veículo que hospeda seu conteúdo, na mesmíssima dinâmica da televisão aberta: quem paga é o anunciante (na internet temos banners, links patrocinados, inserção, páginas especiais, parcerias… muitas, mas muitas formas de veicular publicidade. Mesmo. O próprio produto online pode ser um sample de algo maior que você deseja vender, e não há nada de errado nisso). Logo, se você quer fazer dinheiro, é bom que seu conteúdo seja interessante para milhares de pessoas. Milhares. Porque seu conteúdo interessante atrai gente naquele canal e naquele horário, e você ainda pode ganhar uma grana pelos anúncios que seu conteúdo espetacular ajudou a mostrar. Mas se você quiser ganhar uma soma significativa, tem que levar milhares. MILHARES. E internacionalizar seu conteúdo o máximo possível, para ampliar o alcance. Note a quantidade de comédias pouco cerebradas entre as dez webséries mais assistidas. Pois é, o nível é por baixo mesmo – mas elas alcançam milhões de pessoas.

(não digo aqui que o nível das produções deve ser por baixo! De jeito nenhum! Mas, convenhamos, quanto mais refinado é o humor, mais difícil é para o produto ser aceito por massas. É uma lógica que faz sentido, vai)

Nem tudo é alegria, ok. Na internet, os valores de anúncios ainda são bem mais baixos e, logicamente, também é baixa a remuneração do autor/produtor. E, obviamente, seu produto não terá tanto público quanto teria na TV aberta – na TV são no máximo 20 opções de canais, na internet temos incontáveis… a audiência é muito mais pulverizada!

Mas raciocina comigo: existem filmes lançados em cinema que fazem cerca de 20 mil pagantes. 20 mil! Um vídeo de 4 minutos de um bebê frenético dançando uma versão brasileira de kuduro já fez, até hoje, mais de um milhão de espectadores (que não pagaram nada para assistir ao vídeo, mas receberam publicidade na cara). Vamos fazer as contas: filme de 1 milhão x quantos centavos de real da bilheteria ficam com o produtor versus filme feito com o celular x quantos centavos de dólar o produtor ganha numa parceria de conteúdo com um Youtube ou Videlog.tv da vida se seu vídeo tiver mais de 100.000 visualizações? Ou mesmo que você não monetize seu conteúdo, mas utilize-o para fazer propaganda da sua produtora, ou teaser do seu próximo filme, ou… as possibilidades são infindáveis, precisamos explorá-las.

E a relação custo-benefício é maior, né? Com a tecnologia de hoje, é possível produzir conteúdo muito mais barato do que há dez ou vinte anos atrás – já ouviu falar de um sujeito chamado Gareth Edwards, que fez um filmaço com apenas 15 mil dólares? Edwards trabalhou num telefilme da BBC sobre Átila, o Huno – e fez todos os efeitos visuais SOZINHO, EM CASA, usando After Effects e Photoshop, em apenas 4 meses. Assim, ó. Se liga.

Ou seja, dá pra fazer barato, sim. E dá até pra ganhar com isso, sim – não é certo, não é fácil, mas tem publicidade (a produtora responsável pela tal websérie bebelol mais vista no Youtube oferece serviços e fez com que quase 70 milhões de pessoas soubessem disso. Não é ótimo?), reputação, dá para criar uma base de fãs para um eventual produto pago… e até dinheiro.

Fica a dica. E não, eu não vendo mídia. Não, aqui não tem link patrocinado. Só estou dando ideia pra ver se projetos espetaculares saem da gaveta, se boas histórias são contadas independente da quantidade de verba captada para a produção, se produtores tomam coragem de botar seus filmes antigos pra circular (melhor você botar num canal oficial seu do que deixar que rapidshares desses da vida faturem às custas do SEU conteúdo extraoficialmente, não?), podendo até fazer uma verba extra. Porque espaço é o que não falta, e é claro que o retorno não é certo, mas pode até acontecer.

Cinema BR: esperando por uma franquia de sucesso

Você leu essa matéria, publicada originalmente no jornal O Globo, que diz que ‘Estúdios apostam em filmes baseados em franquias’?

Muito boa, tudo muito bom, mas aqui no Brasil temos dois exemplos de filmes baseados em séries que não foram exatamente sucessos retumbantes de bilheteria (apesar de terem ido muito bem para os padrões brasileiros): ‘Os Normais’ (1 e 2) e ‘A Grande Família’. Ok, você leu ‘Cultura da Convergência’? Você está acompanhando toda essa discussão sobre o engajamento dos espectadores quando o produto é aberto, de alguma forma, a participação? Nem é novidade, na verdade, e nem se aplica única e exclusivamente a esse universo: Supernanny já dizia que seus filhos valorizarão mais seu trabalho como mãe e a comida que comem se participarem das atividades na cozinha, Ana Carla já disse que você se envolve com sua cidade e aprende a amá-la quando a conhece, planejadores de comunicação digital cansaram de fabricar mecânicas de promoção que envolvem a participação do usuário, porque ele se sente parte daquilo e vai ajudar a divulgar algo que ele ajudou a construir.

Bem, peguem os exemplos mencionados na matéria – Kick Ass e franquias Star Wars, Marvel e afins -, junte A e B e perceba que, apesar das tentativas até bem sucedidas de adaptação de séries para as telonas aqui no Brasil, ainda falta algo: falta o filme feito por você e para você, fã.

Em breve, teremos ‘Desenrola’, que contou com a participação do público em praticamente todas as etapas de produção. Teremos ‘Tropa de Elite 2’, que já é aguardado e comentado com antecedência – e te digo, se não fosse guardada TÃO a 7 chaves, a continuação da história de Capitão Nascimento e seus colegas podia ser MUITO mais comentada por aí, do mesmo jeito que a Marvel fez ‘vazar’ fotos do Thor, vídeos das filmagens de ‘Hulk’, easter eggs de ‘Homem de Ferro’.

Zé Padilha, libera um teaser de Tropa 2 aí!
[Zé Padilha! Libere mais material pra galera continuar com o interesse lá no alto! Licencie um game à la ‘Doom’ e action figures!]

Em breve, teremos o filme ‘Peixonauta’ – baseado em uma série infantil de sucesso, com altíssimo grau de aceitação do público alvo (crianças pequenas), que pode ser um grande sucesso se começar desde já a envolver a molecada na internet, em parques e com brinquedos divertidos.

Quer dizer, potencial para filmes baseados em franquias, há. Mesmo os filmes baseados em séries, programas e produtos da TV Globo, que por si só já são hits de bilheteria, podem virar cases de marketing-cinema-franquia se começarem a envolver a audiência de uma forma não passiva, na frente da tv e, agora, do computador, mas fazendo algo, discutindo, sugerindo e comprando produtos licenciados.

A real é que eu quero um case brasileiro pra estudar e não tenho. Produtores, fica a dica.

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