Filmes do Fim de Semana

Não posso dizer que vi “Irmão Sol, Irmã Lua” inteiro, mas não posso mais dizer que nunca vi o filme, de uma pureza quase hippie – ou seriam alguns hippies de uma pureza quase franciscana?

O filme de Franco Zeffirelli, para quem não sabe, relata como São Francisco de Assis encontrou Deus e descobriu a satisfação nas coisas simples da vida, no desapego e na solidariedade ao próximo, causando a ira da igreja católica da época, que – dizem – prezava mais a riqueza e opulência do que a fé. E “Irmão Sol, Irmã Lua” é lindo – no entanto, não é atemporal como outros filmes passados em épocas remotas: câmera, planos, direção de atores e principalmente as canções folk o situam no começo dos anos 70, dando a impressão de que o diretor queria, de fato, comparar as idéias de São Francisco com a ideologia flower-power da época (aliás, Donovan, o responsável pela trilha sonora folk e considerado “a resposta inglesa a Bob Dylan – não tenho nada com isso, achei no google! – chegou a morar com a mulher e o filho numa comunidade alternativa, como informa este site).

Não importa, é bonito demais. E ver Obi Wan Kenobi como Papa Inocêncio III, reconhecer músicas que fizeram parte da minha infância e descobrir, via Imdb, que Clara é a Princesa Andromeda de Fúria de Titãs não tem preço.

(aliás, descobrir que “Fúria de Titãs” tem Maggie Smith, Ursula Andress e Laurence Olivier me faz querer revê-lo, agora reconhecendo os rostos)

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Como ninguém é perfeito e não se pode viver unicamente de diretor italiano, sábado foi dia de “Minority Report” e domingo foi dia de “O Último Samurai”, dando início à..

Maratona Tom Cruise

Tom Cruise era o maioral quando eu tinha uns 12 ou 13 anos – e o galã dizia na Capricho que era disléxico e tinha vergonha de seu nariz torto, e a gente não dava a mínima pra isso.

Pois bem, o Brad Pitt continua gato, o Mike Patton continua foda, e eu não vejo mais a mínima graça no Tom Cruise. Porque tem uns caras que melhoram com o tempo, né? Podem passar trinta anos para o George Clooney que ele continua charmosão, mas o Tom Cruise.. ele está esquisito. Tortinho, sabe? E não é por causa de “Vanilla Sky”, ele realmente é sem-jeitinho. Mas sabe como é, pré-adolescente e noção não são duas coisas lá muito compatíveis.

Então que ele não me convenceu como o fodão do bairro peixoto em “Minority Report”. Tá, ele não é lá tão foda, ele tem um trauma que tenta esquecer usando drogas ilícitas, ele é meio burrinho e confia demais no sujeito de quem todo mundo desconfia logo no começo, e ele engole a desculpa esfarrapada da mulher dele na hora da separação (aliás, a outra desculpa é mais esfarrapada ainda!), mas luta contra vários policiais spielberguianamente armados e sai vivinho da silva. Aquele cara daquele tamanho. Pegou mal.

Aliás, “Minority Report” tem mão de Spielberg, cheiro de Kubrick, jeito de “Seven”, referências a “Blade Runner” e “O 5o Elemento” e uma ponta de luxo da Cameron Diaz aparecendo por meio segundo, fazendo figuração no metrô, uma espécie de piada interna sem sentido algum. Fica tudo meio confuso, mas tudo bem, tudo bem, a proposta do filme é entreter, certo? Se eu quisesse raciocinar sobre “Minority Report”, pegava a história do Phillip K. Dick pra ler.

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Aliás, ele também não me convenceu como samurai em “O Último Samurai”. O filme é bom, mas ficaria melhor com menos meia hora de enrolação, e se o segredo dos samurais fosse “mente livre de preocupações”, bicho, Timão e Pumba seriam os novos reis da savana, com sua filosofia “Hakuna Matata”. Aliás, Dustin Hoffman em “Rain Man” também era livre de preocupações, podendo levantar duas katanas e cortar metade do nariz do Tom Cruise, já prevendo que ele tentaria nos enganar com o plot de um americaninho arrogante e beberrão que vira o fodão de Kyoto depois de três meses de treinamento, se igualando a honrados samurais que treinaram a vida inteira para isso. Mas tá bom, o filme é legal, menos um pouquinho aqui ou ali, cortem o romance, os discursos piegas (a última cena em que o imperador aparece poderia ser muda, como uma homenagem ao teatro nô, que tal?) e, por favor, omitam toda a tensão entre o tradicional e o novo – isso já foi usado em Kundun, do Scorcese, só que com tibetanos e chineses, lembram?

Bom, eu sou uma velha reclamona, mas tenho coração. O filme é bonito pacas, a tal tensão entre o tradicional e o moderno é triste de se ver – é revoltante saber como eles foram ocidentalizados e perderam várias tradições maravilhosas – e as lutas são do cacete. Não dêem ouvidos às minhas críticas amadoras, vão ver.

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Já me acostumei com a tua voz

Nunca vi graça em Legião Urbana – não necessariamente pelas músicas, algumas até condizentes com os panquerroques que tanto me aprazem, mas pela superexposição na Rádio Fluminense FM, nos churrascos da turma na escola, nas letras nas agendas e murais de cortiça das minhas amigas, nas melodias embutidas em todos os violões da cidade – e me orgulho de, num acervo de trocentos cds, mais outros tantos vinis e uma caralhada de fitas-cassete, ter apenas duas músicas do Legião gravadas por uma amiga minha no espaço livre de uma fita que ela havia gravado a meu pedido – tudo bem, a Lu era tão, mas tão fã de Legião que quando eu lembro da banda, lembro dela imediatamente, e é uma associação bem positiva. Pensando nela, até consigo pensar em Legião Urbana com algum carinho.

Mas não foi pensando nela que cantarolei mentalmente “Sete Cidades” várias vezes agora à noite. “Sete Cidades” (que eu não lembrava que tinha esse nome) simplesmente brotou aqui e se recusa a sair, martelando “incessesavelmente” (sic) meu “célebro” agora à noite.

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Depois desse post, não preciso escrever mais nada por uma semana.. haja caracteres digitados!! Haja paciência! Eita..

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Publicado em fevereiro 2, 2004, em Uncategorized e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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