Opaaaaa!Na onda do teste sobre os musicais..
Deixa eu falar de “Tommy”.
O disco do The Who sobre a história do garoto que, traumatizado na infância, ficava cego, surdo e mudo e, alheio a tudo à sua volta, acabava virando um gênio do pinball é uma das coisas mais lindas da história do rock. Embora eu conheça pouquíssima coisa da banda além de “Tommy”, este disco é suficiente para generalizar e dizer que “The Who é bom pra caralho”.

Já o filme, é esquisitão mas não fica atrás; a gente não está mesmo acostumado à estética anos 70. Os arranjos das músicas são praticamente os mesmos, as vozes completamente diferentes, e as participações especiais de Eric Clapton, Tina Turner, Elton John e Ann-Margret (par romântico de Elvis Presley em ‘Viva Las Vegas’, excelente como a mãe de Tommy, um Roger Daltrey perfeitamente hippie-deslumbrado quando Tommy volta a enxergar – ei, isso não é spoiler, ok? O disco narra esse momento com a belíssima “I’m free”, onde Tommy declara sua liberdade e vira um messias – as pessoas querem se libertar como ele, sacou?), então, as participações – emprestando suas vozes – não ofuscam a beleza das músicas – pelo contrário, emprestam seus rostos e corpos aos personagens que parecem feitos sob medida.

Perfeito? Ahn, nem tanto. Citando meu amigo Melvin, “o problema desses caras eram as drogas, eles não tinham critério e concordavam com tudo. ‘Bora fazer a mulher nadar no meio de um monte de feijão?’ ‘Yeah!’ ‘Bora fazer o maluco se jogar de dentro de um espelho?’ ‘Yeah!'”. As seqüências mais alucinógenas (e a mensagem final do filme é ‘você não precisa de drogas para achar a paz’, que coisa..), como a de “Gipsy, the Acid Queen” (fenomenal na pele da bisonha Tina Turner, tão freak quanto a personagem), são bastante cansativas, especialmente se você é um quase-straight-edge dos anos 2k e ainda tem uma boa noção de tempo. Algumas cenas parecem forçadas para caberem dentro da música, trechinhos que não existiam, inseridos no filme para fazer o gancho entre as cenas e tornar o filme mais linear (uma vez que o roteiro, sem diálogos falados, apenas música, segue exatamente a ordem do disco).

Mas mesmo as riponguices são esteticamente bem feitas, algumas cenas impressionantes – e ouvir “Pinball Wizard” (interpretada por sir Elton John) e “Sally Simpson” no super Dolby do cine Odeon é de arrepiar os pentelhos.

Quem viu, viu.

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Publicado em outubro 5, 2003, em Uncategorized e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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